quinta-feira, 26 de maio de 2011

Spanish Revolution 15-M


Pra quem não sabe está rolando uma revolução na Espanha. Não é como as revoluções que imaginamos, não é uma revolução armada, não é uma revolução de palavras raivosas em um megafone. Já foi, depois do primeiro dia os ânimos se acalmaram. Desde aqui de Logroño posso dizer que mesmo sem a faísca explosiva que tanto me agrada a revolução vem acontecendo. Talvez não aconteça no país, mas vem acontecendo uma revolução dentro das pessoas.
Podem imaginar o que é estar acampado em uma praça antiguíssima, belíssima, cozinhando para uma galera enorme e ser abordada por duas vovozinhas que te perguntam o que precisamos para a cozinha? 'Azeite? Trago amanhã!' Não posso expressar também a alegria de ouvir delas: 'Obrigada por tudo o que estão fazendo por nós.'
A cozinha não é o centro da operação, embora Espanha seja um país que conquiste pela barriga, outros comitês foram formados: Comunicaciones, artes, logística, etc. Tudo bem organizado, uma micro-cidade em praça pública mas com microfones abertos para quem desejar falar.
Nem tenho tanta parte nisso, venho acompanhando meio de escanteio, dando uma força onde posso. Mas a satisfação de ver assembléias públicas em plena praça ficara eternamente em mim. Sim, sou sudaca, metade sudaca-metade espanhola, mas aqui ninguém se importa. Todos os dias as oito da noite, espanhóis, sudacas, moros, romenos, brancos, negros, velhos, jovens, crianças, vegetarianos, carnívoros se unem. Todos os dias desde o 17 de maio (em Logroño o movimento 15-M demorou pra começar) a principal praça pública de Logroño, capital de La Rioja, ganha outro sentido, ganha nova vida.

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