Nem só de cagadas vive o homem, fato. Mas como nos custa o otimismo, como nos custa ver o lado bom das coisas, como nos custa o pensamento positivo. Sempre nos sobra mais ressaca moral, arrependimentos, lembranças horrendas e culpa.
Bom, pelo menos me custa muito. Meu copo anda sempre meio vazio e isso me dá uma sacudida, meia dose de algo já me indica o momento de partir para a segunda dose. Meio copo de cerveja já me provoca a terminá-lo logo e enchê-lo novamente. Assim também é com as outras doses da vida. O meio termo sempre me incomodou além da conta e, sempre que necessário, elimino tudo logo.
Mesmice não rola, rotina me cansa e tudo o que é morno não me vale. Ou é, ou não é. Meu problema é que tudo que é meio complicado me cativa mais. Não vivo só de cagadas da vida e mancadas próprias e alheias, mas admito que chegar ao fundo do copo me apetece mais do que dar o primeiro gole.
Gosto um pouco do desgosto, gosto um bocado de quando chego ao ponto de reflexão, gosto quando chego na curva e não vejo muito bem o que me espera adiante. Cheguei ao ponto de não atrair problemas, mas buscá-los. Daí me pergunto, me custa ser otimista, ver o lado bom das coisas, ou me apetece muito mais o lance de mergulhar um pouquinho no lado negro e nadar no que sobra no copo? Se está meio vazio, que metade seja de uísque, por favor.
Quem é pessimista antes dos 50, pensa que sabe tudo; quem é otimista depois dos 50, não aprendeu o bastante. Certeza nenhuma, mas de um jeito ou de outro foi assim que nos encontramos.
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